Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que comparecerem às urnas neste domingo (25), durante o segundo turno das Eleições de 2026, poderão ter o registro de votação utilizado na atualização automática da prova de vida. A medida contempla aposentados, pensionistas e pessoas que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e faz parte do cruzamento de dados entre a Justiça Eleitoral e o órgão previdenciário.
A integração permite que o registro oficial de comparecimento à votação seja considerado pelo INSS como uma evidência de que o beneficiário está vivo. Com isso, o sistema pode dispensar a necessidade de procedimentos presenciais em agências bancárias ou unidades do Instituto exclusivamente para essa finalidade.
Segundo o advogado Rômulo Saraiva, especialista em Direito Previdenciário e Trabalhista, a utilização das informações eleitorais busca simplificar a comprovação de vida e reduzir a burocracia para os segurados. Ele ressalta, porém, que votar não é uma exigência para manter o pagamento dos benefícios previdenciários ou assistenciais.
Desde 2022, o INSS passou a priorizar a busca de informações em bases de dados públicas e governamentais para realizar a prova de vida. O objetivo é evitar que aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC precisem se deslocar anualmente apenas para confirmar que estão vivos.
Além do comparecimento às urnas, o Instituto pode considerar registros de atualização no Cadastro Único (CadÚnico), atendimentos em unidades de saúde, emissão de documentos oficiais, realização de perícias médicas e movimentações em instituições financeiras, entre outros procedimentos que permitam confirmar a existência do beneficiário.
A convocação para regularização ocorre quando o INSS não consegue localizar registros válidos suficientes para comprovar a vida do segurado. Por isso, a ausência na votação não provoca a suspensão automática do benefício, já que o órgão consulta outras bases oficiais antes de solicitar providências adicionais.
Quem não votou no primeiro turno também poderá ter a presença registrada no segundo turno considerada para a prova de vida. Cada etapa da eleição gera registros próprios, que podem ser aproveitados no cruzamento de informações entre os sistemas públicos.
A recomendação é que os beneficiários consultem a situação cadastral pelo aplicativo ou portal Meu INSS, no serviço Prova de Vida, antes de procurar uma agência ou instituição bancária. A verificação permite identificar se a comprovação já foi processada ou se existe alguma pendência a ser resolvida.
Em 2024, o cruzamento de dados eleitorais registrou eventos relacionados a 20.957.288 beneficiários em todo o Brasil e contribuiu para a atualização de aproximadamente 5 milhões de provas de vida. Os números demonstram o alcance da integração entre os órgãos públicos e a importância do compartilhamento de informações para a gestão dos pagamentos previdenciários.
Em Pernambuco, o assunto envolve uma parcela expressiva da população. O Estado tem 7.225.744 eleitoras e eleitores aptos a votar, dos quais 723.272 possuem 70 anos ou mais. Nessa faixa etária, o voto é facultativo, conforme a legislação eleitoral brasileira.
O estado também registrou a emissão de 1.365.010 benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) em abril de 2026, segundo dados da Previdência Social. O total reúne benefícios urbanos e rurais e evidencia a relevância de medidas que reduzam deslocamentos desnecessários, sobretudo para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
INSS alerta para golpes envolvendo prova de vida
Os beneficiários devem redobrar a atenção diante de possíveis tentativas de fraude relacionadas à prova de vida do INSS. De acordo com Rômulo Saraiva, o Instituto não solicita senhas, pagamentos ou acesso a links enviados por WhatsApp para regularizar a situação do segurado.
Em caso de dúvida, a orientação é utilizar exclusivamente os canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS, o portal gov.br e a Central 135. A recomendação é não fornecer informações pessoais nem realizar pagamentos a terceiros que prometam atualizar a prova de vida.
Rômulo Saraiva é advogado pernambucano, mestre em Previdência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), especialista pela Università di Pisa, na Itália, e doutorando em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e diretor de Amicus Curiae no IEPREV, também é autor dos livros “Fraude nos Fundos de Pensão” e “Fraudes no INSS”, além de colunista da Folha de S.Paulo.
Foto/ Imagem: Reprodução/ Agência da Previdência Social
