Especialista orienta aposentados e pensionistas como evitar golpes no INSS

Isabel Gusmão
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O aumento de golpes envolvendo aposentados, pensionistas e outros segurados da Previdência Social acende um alerta para a necessidade de reforçar os cuidados com dados pessoais e bancários. O advogado previdenciário Rômulo Saraiva, autor do livro Fraudes no INSS, orienta os beneficiários a reconhecer mensagens suspeitas e utilizar exclusivamente os canais oficiais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para consultar informações e solicitar serviços.

Segundo o especialista, criminosos recorrem a perfis falsos, links maliciosos e mensagens que imitam comunicados oficiais para convencer as vítimas a fornecer senhas, dados bancários e códigos de confirmação. As abordagens costumam explorar o medo de perder o benefício, a urgência de regularizar o cadastro ou a promessa de receber valores rapidamente.

De acordo com Saraiva, mensagens que mencionam bloqueio de aposentadoria, revisão urgente, pagamento imediato ou necessidade de atualização cadastral exigem atenção redobrada. A recomendação é interromper o contato e verificar a informação diretamente nos canais institucionais antes de tomar qualquer providência.

A estratégia dos golpistas, explica o advogado, consiste em pressionar o segurado para que ele tome decisões sem conferir a autenticidade da mensagem. Por isso, a pressa deve ser encarada como um sinal de alerta, principalmente quando há solicitações de informações confidenciais ou transferências de dinheiro.

O alerta acompanha as orientações divulgadas pelo próprio INSS, que recomenda o uso do aplicativo e do portal Meu INSS, do endereço eletrônico gov.br/inss, da Central Telefônica 135 e dos perfis oficiais do órgão para obter informações sobre benefícios e serviços previdenciários.

A procura por esses canais demonstra a importância dos meios oficiais no atendimento à população. Conforme os dados informados pelo Instituto, o Meu INSS registrou mais de 100 milhões de acessos em junho, enquanto a Central 135 recebeu mais de 3,8 milhões de ligações no último mês divulgado pelo órgão.

Para Rômulo Saraiva, a aparência profissional das mensagens fraudulentas torna a identificação dos golpes ainda mais difícil. Os criminosos podem reproduzir a identidade visual de instituições públicas e utilizar uma linguagem semelhante à de comunicados administrativos para transmitir credibilidade e induzir o cidadão ao erro.

A principal orientação é desconfiar de contatos que solicitem senhas, dados bancários, códigos de autenticação ou pagamentos para liberar serviços e benefícios. Em caso de dúvida, o segurado deve encerrar a conversa e procurar o atendimento oficial, sem clicar em links recebidos de remetentes desconhecidos.

Quem já compartilhou informações com suspeitos também precisa agir rapidamente. A recomendação é entrar em contato com os bancos envolvidos, adotar medidas para proteger as contas e alterar senhas comprometidas. Se houver indícios de fraude, é importante reunir mensagens, comprovantes e outros registros para comunicar o caso às autoridades competentes.

As orientações fazem parte do trabalho de divulgação desenvolvido pelo advogado, que reúne no livro Fraudes no INSS informações sobre práticas criminosas relacionadas à Previdência Social, formas de identificar abordagens suspeitas e medidas para reduzir o risco de prejuízos financeiros e violações de direitos.

Pernambucano, Rômulo Saraiva atua nas áreas de Direito Previdenciário, Direito do Trabalho e proteção social. É mestre em Previdência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), possui especialização internacional pela Università di Pisa, na Itália, e é doutorando em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O advogado também é professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e diretor de Amicus Curiae no Instituto de Estudos Previdenciários (IEPREV). Além de Fraudes no INSS, é autor do livro Fraude nos Fundos de Pensão e colunista da Folha de S.Paulo, onde analisa os impactos das políticas previdenciárias no país.

Diante da circulação de mensagens fraudulentas, a orientação central é confirmar qualquer informação sobre aposentadorias, pensões e outros benefícios diretamente nos canais oficiais. A verificação antes de fornecer dados ou realizar pagamentos pode evitar prejuízos e impedir que informações pessoais sejam utilizadas em novas tentativas de fraude.


Foto/ Imagem: Reprodução/ Banco de Imagem - Adobe Stock


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