Joanete pode afetar joelhos e coluna; veja sinais e tratamentos

Isabel Gusmão
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Por muito tempo associado apenas a uma alteração estética nos pés, o joanete pode provocar dores, dificuldades para caminhar e mudanças na forma de pisar quando não recebe acompanhamento adequado. A deformidade, conhecida como hálux valgo, é progressiva e pode afetar a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), o problema está entre as deformidades mais comuns dos pés e atinge principalmente mulheres. Estudos indicam que cerca de 23% dos adultos apresentam a condição, percentual que ultrapassa 35% entre pessoas com mais de 65 anos.

A ocorrência do joanete está relacionada a diferentes fatores, como predisposição genética, alterações na estrutura dos pés e uso frequente de calçados estreitos ou de salto alto. De acordo com o ortopedista especialista em pé e tornozelo do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT), Ricardo Villar, adiar a avaliação médica pode favorecer a evolução da deformidade.

“O joanete é uma deformidade progressiva. Quanto mais cedo o paciente procura avaliação, maiores são as chances de controlar os sintomas e evitar o agravamento do desalinhamento do pé”, afirma o especialista.

Entre os sinais mais comuns estão a saliência na base do dedão, dor, inflamação e dificuldade para encontrar calçados confortáveis. Em casos mais avançados, a alteração pode interferir na maneira de caminhar e provocar sobrecarga em outras articulações.

Segundo Villar, essa compensação pode atingir tornozelos, joelhos e quadris e, em determinadas situações, repercutir também na coluna. Por isso, o tratamento deve considerar não apenas a deformidade local, mas também seus impactos sobre a marcha e a mobilidade do paciente.

Nem todos os casos, porém, exigem cirurgia. Nas fases iniciais, medidas como mudança de calçados, utilização de palmilhas, fisioterapia e acompanhamento ortopédico podem ajudar no controle dos sintomas e na preservação da função do pé.

A cirurgia costuma ser considerada quando a dor permanece, há limitação das atividades ou comprometimento significativo da qualidade de vida. O especialista explica que técnicas menos invasivas estão disponíveis e podem contribuir para uma recuperação mais rápida e resultados funcionais satisfatórios.

O ortopedista também ressalta que o salto alto não deve ser apontado como causa isolada do joanete. A herança genética tem papel importante no desenvolvimento da deformidade, enquanto o uso de calçados inadequados pode acelerar sua evolução.

A recomendação é procurar avaliação médica diante dos primeiros sinais, especialmente quando surgem dor, alteração no formato do pé ou dificuldade para caminhar. O diagnóstico e o tratamento precoces podem ajudar a evitar o agravamento do quadro e preservar a autonomia.

O Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Recife (IOT) está localizado na Avenida Agamenon Magalhães, 4760, no bairro do Paissandu, no Recife. O atendimento também pode ser buscado pelos canais de contato da instituição.


Foto/ Imagem: Reprodução/ Banco de Imagem - Freepik

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