Crédito rural movimenta R$ 3,61 bilhões em Pernambuco em 12 meses

Isabel Gusmão
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O crédito rural concedido em Pernambuco alcançou R$ 3,61 bilhões nos 12 meses encerrados em julho de 2026, segundo dados do Banco Central. O valor representa crescimento de 7,7% em relação ao período anterior, quando foram movimentados R$ 3,35 bilhões. O avanço foi acompanhado pelo aumento dos recursos destinados à agricultura familiar, que respondeu por mais da metade do financiamento rural no Estado.

Por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), foram concedidos R$ 1,88 bilhão no período, alta de 21% em comparação aos R$ 1,55 bilhão registrados no ciclo anterior. Com o resultado, o Pronaf passou a representar 52% de todo o crédito rural concedido em Pernambuco nos 12 meses analisados.

Os números do Banco Central consideram operações realizadas tanto por instituições financeiras públicas quanto privadas. Para Marcos Barbosa, consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, o desempenho demonstra a importância dos pequenos produtores para a economia rural pernambucana e a demanda por recursos para manutenção e ampliação das atividades no campo.

Segundo o especialista, o crédito é utilizado em diferentes etapas da produção, incluindo custeio, investimentos e estruturação das propriedades. A movimentação também alcança outras áreas ligadas ao setor, como aquisição de terras, armazenagem e implantação de estruturas necessárias à atividade agropecuária.

Entre as linhas de financiamento que apresentaram crescimento está o Inovagro, voltado ao incentivo à inovação tecnológica na produção agropecuária. Os recursos destinados ao programa passaram de R$ 21,79 milhões para R$ 62,05 milhões no período analisado. Já o Pronamp, destinado aos médios produtores rurais, registrou crescimento de 22%, chegando a R$ 382,33 milhões.

O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF/FTRA), que financia o acesso à terra e a estruturação de propriedades rurais, registrou R$ 77,03 milhões em recursos concedidos até julho deste ano.

O cooperativismo de crédito também ampliou a participação no financiamento do agronegócio em Pernambuco. No Sicredi, a carteira de crédito rural no Estado passou de R$ 78,73 milhões, em dezembro de 2024, para R$ 152,84 milhões em julho de 2026. O crescimento acumulado no período foi de 94%.

No cenário nacional, o Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões em crédito aos produtores rurais durante o Plano Safra 2026/2027, distribuídos em aproximadamente 340 mil operações. O volume representa alta de 4,4% sobre os R$ 69 bilhões concedidos no ciclo anterior.

A carteira de crédito destinada ao agronegócio da instituição soma R$ 121 bilhões. Para a agricultura familiar, estão previstos R$ 13,3 bilhões, enquanto os produtores de médio porte deverão contar com R$ 14,6 bilhões. Pequenos e médios produtores concentram 88% das operações previstas para o novo ciclo.

Além do financiamento para custeio e investimento, as instituições financeiras oferecem produtos voltados à atividade rural, como seguros, consórcios para aquisição de máquinas e equipamentos, investimentos e soluções de pagamento.

Para Marcos Barbosa, a expansão do crédito rural tem efeitos que ultrapassam o financiamento direto da produção. Na avaliação do consultor, os recursos contribuem para a geração de renda no campo, movimentam a cadeia econômica ligada ao agronegócio e ajudam na permanência das famílias na atividade rural.

O fortalecimento das linhas de financiamento também é apontado como fator relevante para a produção de alimentos e a segurança alimentar. Em Pernambuco, onde a agricultura familiar possui participação expressiva na atividade rural, o aumento dos recursos destinados ao setor amplia a capacidade de investimento dos produtores e pode contribuir para a sustentabilidade econômica das comunidades do campo.

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