Uma kombi adaptada como "Carro do Ovo Pela Vida das Mulheres" percorre o bairro do Ibura, na Zona Sul do Recife, nesta segunda-feira (13), levando uma mensagem de conscientização sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. A iniciativa é promovida pelo Fórum Popular de Segurança Pública de Pernambuco, com apoio do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop) e do coletivo Ibura Mais Cultura.
Inspirado no tradicional carro do ovo, comum em bairros populares, o projeto utiliza um alto-falante para dialogar diretamente com os moradores sobre os altos índices de feminicídio registrados no estado. Durante a ação, voluntários distribuem bandejas com meia dúzia de ovos e panos de prato estampados com mensagens de incentivo à denúncia e ao acolhimento das vítimas, incluindo a divulgação do telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher.
A proposta é aproximar o debate da realidade das comunidades periféricas, utilizando um símbolo do cotidiano para estimular conversas sobre um problema que afeta milhares de famílias. Segundo a coordenadora-executiva do Gajop, Edna Jatobá, a estratégia busca ocupar os territórios populares e promover um diálogo direto com homens e mulheres sobre a prevenção da violência de gênero.
A mobilização no Ibura conta com a articulação do coletivo Ibura Mais Cultura. Para o comunicador Túlio Seabra, levar esse debate aos bairros é fundamental, especialmente porque as mulheres, em sua maioria negras, desempenham papel central na sustentação das famílias das periferias.
A campanha ocorre em um momento de alerta para Pernambuco. De acordo com o estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no último dia 4, o estado registrou 88 feminicídios em 2025, um aumento de 14% em relação aos 77 casos contabilizados em 2024.
Os números indicam que, no ano passado, uma mulher foi assassinada por um homem a cada quatro dias em Pernambuco. O estado ocupa a segunda posição no Nordeste em número de feminicídios, atrás apenas da Bahia, que contabilizou 102 vítimas no mesmo período.
Com a ação, os organizadores pretendem ampliar a conscientização da população, incentivar a denúncia de casos de violência e fortalecer a rede de proteção às mulheres, reforçando que o enfrentamento ao feminicídio depende do envolvimento de toda a sociedade.
Foto/ Imagem: Beto Figueirôa
