São João adaptado fortalece vínculos e desenvolvimento no UPA-E Mustardinha

Isabel Gusmão
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A Unidade Pública de Atendimento Especializado Dr. Cyro de Andrade Lima (UPA-E Mustardinha), no Recife, encerrou nesta sexta-feira (19) a Semana da Neurodiversidade com uma programação voltada às crianças atendidas pelo Centro TEA/NDI.

Intitulada de Copa Junina da Inclusão, a iniciativa reuniu elementos das festas juninas e do futebol em atividades adaptadas às necessidades e possibilidades individuais dos participantes. A proposta foi transformar referências presentes no imaginário popular nordestino em experiências de socialização, desenvolvimento e participação coletiva.

Durante a semana, as crianças participaram de jogos de bola ao som de forró, circuitos de obstáculos com chegada ao gol e dinâmicas de identificação de sons relacionados à Copa do Mundo e ao São João. As atividades foram planejadas para estimular movimento, atenção, concentração, comunicação e interação em grupo.

No encerramento, a programação incluiu quadrilha adaptada, brincadeiras recreativas e confraternização com degustação de comidas típicas do período junino. A unidade é vinculada à Secretaria de Saúde do Recife e, segundo a psicopedagoga da UPA-E Mustardinha, Adriana Lago, a vivência de datas comemorativas pode contribuir para o desenvolvimento das crianças.

“Favorece a socialização, a comunicação, a participação em grupo e o fortalecimento de vínculos afetivos”, afirma. A profissional destaca que ações lúdicas, quando adaptadas, permitem que cada criança participe respeitando seu próprio ritmo e suas potencialidades.

Além da dimensão recreativa, as atividades desenvolvidas no Centro TEA/NDI trabalharam habilidades motoras, cognitivas e socioemocionais. Os circuitos e jogos, por exemplo, contribuíram para o estímulo da coordenação motora, do planejamento de ações e da atenção compartilhada.

Já as dinâmicas sonoras buscaram ampliar a percepção auditiva e a capacidade de concentração dos participantes. A quadrilha adaptada foi estruturada para incentivar a interação, o reconhecimento de comandos e a participação em uma atividade coletiva.

Para Adriana Lago, o contato com celebrações culturais também fortalece o sentimento de pertencimento das crianças. “Essas experiências valorizam as potencialidades individuais e contribuem para a construção de memórias afetivas”, diz.

A profissional afirma que iniciativas desse tipo tornam o processo terapêutico mais acolhedor e inclusivo. A Semana da Neurodiversidade também buscou aproximar o atendimento especializado de situações cotidianas e de manifestações culturais presentes na vida das famílias.

Ao integrar forró, comidas típicas, brincadeiras juninas e futebol, a Copa Junina da Inclusão utilizou elementos conhecidos pelas crianças para favorecer o engajamento nas atividades. A ação reforça a importância de práticas terapêuticas que considerem aspectos sensoriais, emocionais e sociais no atendimento a crianças neurodivergentes.

Com a programação, o Centro TEA/NDI encerrou a semana destacando a inclusão como parte central das atividades de cuidado, desenvolvimento e convivência.


Foto/ Imagem: Divulgação/ Felipe Ferraz


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