Copa do Mundo 2026 reacende alerta sobre aumento da violência contra mulheres

Isabel Gusmão
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A Copa do Mundo de 2026 mobiliza milhões de torcedores em todo o país, mas também reacende um alerta preocupante: o aumento dos casos de violência contra mulheres durante dias de partidas de futebol. Especialistas destacam que grandes eventos esportivos costumam coincidir com um crescimento nos registros de agressões domésticas, exigindo atenção das autoridades e da sociedade.

Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Instituto Avon, apontam que os registros de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentam, em média, 20,8% nos dias de jogos. Quando a equipe joga em casa, o crescimento chega a 25,9%. A maior parte dos casos envolve agressões cometidas por companheiros ou ex-companheiros das vítimas.

Para a historiadora e pesquisadora das relações de gênero Juliana Gouveia, o futebol não pode ser apontado como a causa da violência. Segundo ela, o esporte funciona como um elemento que potencializa comportamentos agressivos já existentes em contextos marcados pelo machismo, pela desigualdade de gênero e pelo sentimento de posse sobre as mulheres.

A especialista explica que emoções intensas, frustrações com resultados esportivos e o consumo excessivo de álcool podem contribuir para episódios de agressão, mas o problema tem raízes estruturais mais profundas. “A violência nasce de uma cultura patriarcal que naturaliza o controle e a dominação masculina”, destaca.

Diante desse cenário, especialistas defendem que períodos de grandes competições esportivas sejam acompanhados pelo reforço de campanhas de conscientização, divulgação dos canais de denúncia e fortalecimento das redes de apoio às vítimas.

Familiares, amigos e vizinhos também desempenham papel fundamental na identificação de sinais de violência, como isolamento, medo constante, mudanças bruscas de comportamento e marcas físicas recorrentes. A denúncia pode ser feita pelo telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher, além da Polícia Militar, pelo 190, e das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.

Com a visibilidade da Copa do Mundo, organizações de defesa dos direitos das mulheres reforçam a importância de transformar a paixão pelo futebol em um momento de mobilização social, promovendo respeito, igualdade e proteção para que nenhuma mulher seja vítima de violência dentro ou fora de casa.


* Foto e imagem: Divulgação/ Sharon Baptista

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