Proibição de celulares incentiva interação nas escolas

Isabel Gusmão
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A exibição do documentário Anatomia do Post, realizada em 25 de março, reacendeu no país o debate sobre os efeitos do uso excessivo de telas entre crianças e adolescentes e seus impactos na formação social e emocional dentro e fora do ambiente escolar.

A produção audiovisual aborda como o uso intenso das redes sociais, muitas vezes sem supervisão familiar, interfere em hábitos cotidianos, relações interpessoais e na saúde mental de jovens em fase de desenvolvimento.

O tema ganhou ainda mais relevância após a entrada em vigor, em fevereiro de 2025, da política de restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras, medida que passou a alterar a rotina de estudantes em diferentes regiões do país.

A proposta tem como principal objetivo reduzir distrações em sala de aula, ampliar a concentração durante as atividades pedagógicas e estimular formas presenciais de convivência entre os alunos.

Em Olinda, o Colégio Imaculado Coração de Maria tem observado mudanças significativas no comportamento dos estudantes desde a adoção da norma.

Segundo a professora Monique Costa, os intervalos escolares passaram a ser ocupados por atividades esportivas e recreativas, com maior participação dos alunos em práticas coletivas.

Entre os esportes que ganharam destaque estão o futebol e o futmesa, que passaram a reunir grupos maiores durante os momentos de pausa entre as aulas.

Além das atividades físicas, jogos de mesa também passaram a ocupar espaço importante no cotidiano escolar.

O jogo de cartas Uno tornou-se uma das opções preferidas entre os estudantes para momentos de socialização e descontração.

Para acompanhar essa nova dinâmica, a escola ampliou o número de mesas de convivência em áreas comuns, buscando incentivar o diálogo e o contato direto entre os alunos.

A estratégia também pretende fortalecer vínculos interpessoais em um contexto de redução do uso das telas dentro do ambiente escolar.

De acordo com Monique Costa, os benefícios não se limitam ao convívio social.

Ela explica que jogos de tabuleiro e atividades coletivas contribuem para o desenvolvimento do raciocínio lógico, da concentração e de competências socioemocionais.

A educadora destaca ainda que a convivência presencial favorece a resolução de conflitos e a cooperação entre os estudantes.

Especialistas em educação têm apontado que a limitação do celular nas escolas pode contribuir para melhorar a atenção e reduzir a dependência digital em crianças e adolescentes.

O debate também ganhou força após o lançamento do documentário, que alerta para riscos como ansiedade, isolamento social e exposição precoce a conteúdos inadequados nas redes sociais.

A discussão sobre o uso consciente da tecnologia vem mobilizando escolas, famílias e educadores em todo o país.

A tendência é que novas estratégias pedagógicas continuem sendo adotadas para equilibrar o uso de ferramentas digitais com experiências presenciais de aprendizagem.


Foto/ Imagem: Freepik


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