Movimento “Code Her” combate violência digital por manipulação de imagens por IA

Isabel Gusmão
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O O Boticário lançou o movimento “Code Her”, voltado à conscientização de mulheres sobre crimes de manipulação de imagens digitais com uso de inteligência artificial. A iniciativa surge em meio ao avanço de denúncias de violência online, especialmente relacionadas à exposição indevida de imagens femininas.

Dados da SaferNet Brasil apontam crescimento de 224,9% nas denúncias de misoginia e crimes cibernéticos contra mulheres em relação ao ano anterior. O cenário evidencia o aumento do medo de exposição pública por meio de conteúdos falsos gerados por IA.

Como resposta, a marca desenvolveu um bot que monitora possíveis tentativas de manipulação de imagens. A ferramenta funciona integrada à rede social X, onde usuárias podem ativar o recurso após cadastro no site oficial do projeto.

Ao publicar fotos, basta marcar o perfil do bot para que o sistema acompanhe a circulação da imagem. Caso haja tentativa de alteração por inteligência artificial, a usuária recebe um alerta imediato. O aviso inclui orientações sobre como denunciar o conteúdo e informações legais disponíveis.

Além da tecnologia, o movimento disponibiliza uma cartilha digital com orientações jurídicas. O material reúne informações sobre direitos e caminhos para responsabilização dos autores. Entre os dispositivos legais citados estão a Lei Carolina Dieckmann e a Lei Maria da Penha. Também são mencionados o Marco Civil da Internet e a chamada Lei Rose Leonel.

O projeto integra o posicionamento da linha Her Code, criada em 2023. A proposta da plataforma é estimular debates sobre prazer feminino e enfrentar tabus sociais. Segundo a marca, a iniciativa amplia esse diálogo para questões de segurança digital.

A campanha conta com um filme protagonizado pela cantora Marina Sena. O conteúdo também inclui a participação da jornalista Rose Leonel, referência no combate à exposição não consentida. Ela teve imagens íntimas divulgadas sem autorização no início dos anos 2000.

Criado pela agência AlmapBBDO, o projeto aposta em uma abordagem educativa e preventiva. A estratégia combina tecnologia, informação e mobilização social. A proposta central é usar a própria inteligência artificial como ferramenta de proteção.

De acordo com a empresa, a intenção é incentivar o uso consciente das plataformas digitais. A campanha também busca reforçar que a internet não é um ambiente sem regulamentação. Especialistas apontam que a responsabilização legal é um dos caminhos para frear abusos.

Com o “Code Her”, o Boticário amplia sua atuação para além do setor de beleza. A marca passa a ocupar espaço em debates sobre direitos digitais e proteção de dados. A iniciativa reflete uma tendência crescente de empresas se posicionarem em pautas sociais.


Foto/ Imagem: Divulgação/ Roberta Almeida


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