Especialistas reforçam papel da reabilitação em lesões medulares

Isabel Gusmão
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As lesões medulares seguem entre os quadros neurológicos mais complexos e desafiadores da medicina contemporânea, exigindo abordagens terapêuticas integradas e contínuas. Embora novas terapias venham ampliando as possibilidades de tratamento, especialistas apontam que a reabilitação intensiva permanece como eixo central na recuperação funcional dos pacientes.

Dados do National Institutes of Health indicam que entre 250 mil e 500 mil pessoas sofrem lesões medulares anualmente no mundo. A incidência é maior entre homens jovens, mas há crescimento de casos em idosos, o que amplia o impacto social e os desafios assistenciais.

As lesões podem comprometer funções motoras, sensoriais e autonômicas, afetando diretamente a mobilidade, o controle urinário e intestinal, além de outras atividades essenciais do organismo. Esse cenário demanda atuação coordenada de equipes multiprofissionais.

Segundo a médica fisiatra Letícia Gomes de Barros, da Clínica Florence Recife, a reabilitação multidisciplinar intensiva é determinante para a evolução clínica, sobretudo nos casos de trauma raquimedular, frequentemente associado a acidentes de trânsito, quedas e mergulhos em água rasa.

A especialista destaca que a intervenção precoce, ainda nas fases aguda e pós-aguda, potencializa os resultados terapêuticos ao explorar a chamada neuroplasticidade — capacidade do sistema nervoso de se reorganizar após uma lesão.

Nesse contexto, a reabilitação vai além da recuperação motora. O processo envolve a retomada da autonomia nas atividades diárias, suporte psicológico, reinserção social e, quando possível, retorno ao trabalho. Além disso, a estratégia atua na prevenção de complicações frequentes, como dores crônicas, infecções e úlceras por pressão, fatores que podem agravar o quadro clínico e comprometer a qualidade de vida.

Apesar do avanço de novas abordagens terapêuticas, muitas ainda em fase experimental, a avaliação médica é de que essas inovações devem ser incorporadas como complemento, e não como substituição às práticas já consolidadas. “A reabilitação traduz qualquer ganho neurológico em funcionalidade prática, sendo essencial para transformar avanços clínicos em melhorias reais no cotidiano do paciente”, afirma a fisiatra.

Com isso, o consenso entre especialistas é de que, embora a inovação represente um caminho promissor, o cuidado centrado na reabilitação intensiva continua sendo a principal estratégia para promover recuperação, independência e qualidade de vida em pacientes com lesões medulares.


Foto/ Imagem: Divulgação/ Clínica Florence Recife via Amanda Myrtes


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