HPV e diagnóstico tardio elevam risco de câncer de colo do útero entre brasileiras

Isabel Gusmão
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O câncer de colo do útero continua entre os principais desafios de saúde pública no Brasil, mesmo sendo uma doença com alto potencial de prevenção. Dados do Instituto Nacional de Câncer indicam que esse é o quarto tipo de câncer que mais provoca mortes entre mulheres brasileiras e o terceiro mais frequente na população feminina, com estimativa de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres em 2025.

A doença está diretamente relacionada à infecção persistente por tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano, vírus sexualmente transmissível conhecido por causar alterações celulares que podem evoluir para tumores malignos. Entre os subtipos de maior risco estão os HPV 16 e 18, considerados os mais associados ao desenvolvimento do câncer.

Apesar de a vacina contra o HPV estar disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, a cobertura vacinal ainda é considerada insuficiente no país, especialmente entre crianças e adolescentes na faixa etária de 9 a 14 anos, público prioritário da imunização.

Segundo a ginecologista oncológica Iolanda Matias, do Hospital Santa Joana Recife, a baixa adesão à vacinação e ao rastreamento preventivo agravou o cenário após a pandemia, período em que houve interrupções em campanhas de imunização e na realização de exames de rotina.

A médica alerta que o câncer de colo do útero está fortemente associado a contextos de vulnerabilidade social, sobretudo entre mulheres com menor acesso aos serviços de saúde. Entre os fatores de risco estão início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, histórico de infecções sexualmente transmissíveis, tabagismo, imunidade baixa e múltiplas gestações.

Um dos principais obstáculos ao diagnóstico precoce é o fato de a doença não apresentar sintomas nos estágios iniciais. Em muitos casos, o processo de evolução entre a infecção pelo HPV e o surgimento do câncer pode levar de 10 a 15 anos.

Quando surgem sinais clínicos, eles geralmente indicam fases mais avançadas, como corrimento com odor forte, dor lombar persistente, emagrecimento sem causa aparente, anemia e sangramento vaginal fora do período menstrual.

A principal estratégia de rastreamento continua sendo o exame Papanicolau, disponível gratuitamente no SUS. A recomendação é que mulheres iniciem o acompanhamento após o começo da vida sexual, com realização anual a partir dos 25 anos.

Especialistas reforçam que, quando identificado precocemente, o câncer de colo do útero apresenta chances de cura próximas de 100%. Em estágios avançados, esse índice cai para cerca de 60% a 70%, tornando a prevenção decisiva para reduzir mortes evitáveis.

Nesta quinta-feira, dia 26 de março, o tema ganha destaque com o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, dentro da campanha Março Lilás, voltada à conscientização sobre diagnóstico precoce e vacinação.


Foto/ Imagem: Divulgação/ Amanda Myrtes



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