A nova fila nacional criada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não garante prioridade automática para doentes graves e tem aumentado a preocupação de segurados em todo o país. Mesmo com um estoque superior a 3 milhões de pedidos de benefícios em análise, a morosidade continua sendo um dos principais desafios da Previdência Social. Dados do Boletim Estatístico da Previdência Social de dezembro de 2025 apontam que o volume de requerimentos segue distante da meta de zerar a fila. Do total acumulado, cerca de 982 mil pedidos ainda estão dentro do prazo legal de 45 dias para avaliação, enquanto aproximadamente 1,7 milhão já ultrapassaram esse limite estabelecido por lei. Outros 357 mil processos permanecem parados por pendências documentais, contribuindo para o aumento do tempo de espera.
O Nordeste lidera o ranking de atrasos, concentrando mais de 1,08 milhão de requerimentos pendentes, cenário que impacta diretamente estados como Pernambuco. A ausência de prioridade automática para casos de doenças graves agrava a situação de trabalhadores incapacitados que dependem do benefício para sobreviver e custear tratamentos médicos. Especialistas alertam que o atraso pode comprometer tanto a estabilidade financeira quanto a dignidade dos segurados.
Para o advogado previdenciário Rômulo Saraiva, a demora na análise traz consequências diretas e, em alguns casos, irreversíveis. Segundo ele, há situações em que o cidadão sofre um acidente ou adoece, mas enfrenta longa espera para a realização da perícia médica. Quando finalmente é avaliado, pode já estar parcialmente recuperado ou até ter retornado ao trabalho, o que distorce a análise da incapacidade real.
Essa defasagem pode resultar na negativa do benefício ou na perda do pagamento retroativo, penalizando quem já estava em condição de vulnerabilidade social. O especialista afirma ainda que a nova fila nacional não diferencia automaticamente casos urgentes, obrigando muitos segurados a recorrerem à Justiça para garantir direitos básicos.
O impacto é mais evidente entre trabalhadores informais e famílias de baixa renda, que têm no benefício previdenciário sua principal fonte de sustento. Entidades e profissionais da área defendem a ampliação do quadro de servidores e a modernização dos sistemas de análise e perícia como medidas urgentes para reduzir o acúmulo. Enquanto isso, milhares de brasileiros seguem sem previsão de resposta, convivendo com insegurança e incerteza financeira.
O debate sobre a prioridade para doentes graves volta ao centro das discussões previdenciárias, especialmente diante do crescimento contínuo da demanda. Juristas reforçam que a legislação estabelece prazos que precisam ser cumpridos para evitar prejuízos aos segurados. Sem mudanças estruturais, o risco é de ampliação das desigualdades regionais e do agravamento da crise no sistema. Pernambuco e outros estados nordestinos permanecem entre os mais afetados pelo volume de pendências. O cenário evidencia a urgência de medidas que garantam maior celeridade, transparência e justiça no acesso aos benefícios previdenciários.
Foto/ Imagem: Divulgação/ Rose Maria
