O aumento dos casos de feminicídio em Pernambuco tem acendido um alerta contínuo para o poder público e para a sociedade. Dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o estado registrou 82 feminicídios, número que já ultrapassa todo o ano de 2024, quando foram contabilizadas 76 mortes de mulheres em razão do gênero.
Os indicadores confirmam uma curva ascendente da violência letal contra mulheres e evidenciam que o problema segue como um dos principais desafios sociais e de segurança pública no estado. O cenário pernambucano reflete uma realidade ainda mais grave no contexto nacional.
Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborado pelo Observatório da Mulher Contra a Violência, do Senado Federal, o Brasil registrou 718 feminicídios apenas no primeiro semestre de 2025. No mesmo período, foram notificados 33.999 casos de estupro contra mulheres, o que representa uma média alarmante de 187 ocorrências por dia, revelando a dimensão estrutural da violência de gênero no país.
É nesse contexto que o educador e pesquisador Hugo Monteiro Ferreira lança o livro Agora o Meu Chão São as Nuvens (Autêntica Editora, 2025). A obra propõe uma reflexão profunda sobre as origens do feminicídio, relacionando o crescimento desses crimes a modelos de educação de meninos ainda baseados em estruturas patriarcais, autoritárias e emocionalmente violentas.
Resultado de mais de duas décadas de pesquisas com mulheres vítimas de violência doméstica, adolescentes em situação de vulnerabilidade e famílias marcadas por traumas, o livro defende que o feminicídio não é um ato isolado, mas o desfecho de uma cultura construída nas relações familiares. Além da denúncia, a publicação aponta caminhos como a educação emocional, o fortalecimento das redes de apoio e a articulação entre políticas públicas, sistema de justiça e sociedade civil para o enfrentamento da violência de gênero.
Foto/ Imagem: Divulgação/ Rose Maria
