Curta preserva memória e tradição dos jangadeiros pernambucanos no Litoral Sul de PE

Isabel Gusmão
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O curta-metragem documental “NECO”, que retrata a trajetória de um dos maiores mestres construtores de jangadas de Pernambuco, acaba de concluir sua produção e inicia agora a circulação por festivais de cinema em todo o Brasil. A obra foi realizada com incentivo da Lei Paulo Gustavo Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-PE), e entra na fase de inscrições em mostras e festivais nacionais, antes de sua estreia oficial.

Dirigido por Mateus Guedes, o documentário acompanha o cotidiano, as memórias e o saber ancestral de Seu Neco, jangadeiro e artesão que vive em Porto de Galinhas, no Litoral Sul do Estado. Aos mais de 80 anos, ele segue ativo na oficina, construindo jangadas, orientando novas gerações e mantendo viva uma tradição que atravessa décadas e o mar pernambucano.

Reconhecido entre construtores e corredores de jangada da região, Seu Neco aprendeu o ofício de forma autodidata, observando outros mestres e aperfeiçoando técnicas ao longo da vida. No filme, ele relembra a infância à beira-mar, a relação com o pai e os primeiros anos como pescador, até se tornar referência na construção de jangadas, muitas delas vencedoras das tradicionais corridas da região.

Mais do que registrar o processo artesanal, “NECO” propõe um retrato íntimo de um personagem moldado pela pesca, pela madeira e pelo vento. A obra também destaca manifestações culturais ligadas à jangada, como as corridas realizadas em Porto de Galinhas durante as celebrações do padroeiro dos jangadeiros, em junho, e no Dia do Jangadeiro, em setembro.

As filmagens aconteceram entre maio e novembro de 2025, após um período de pesquisa e aproximação com o personagem iniciado em 2024. Com abordagem sensível e observacional, o documentário evidencia a importância de um saber transmitido de forma oral e prática, hoje ameaçado pelas transformações do litoral e pela redução de novos aprendizes.

Agora finalizado, o curta amplia o alcance da história de Seu Neco ao entrar no circuito de festivais, contribuindo para a valorização da cultura dos jangadeiros pernambucanos e para a preservação de uma herança cultural fundamental para a identidade do Estado.


Foto/ Imagem: Jão Vicente via  Divulgação/ Andréa Almeida


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